Você nunca verá isso na tv ou mídia sécular.Se você ama a verdade e a busca: medite nestas postagens
domingo, 24 de janeiro de 2010
A garota da Uniban
A garota da Uniban
Julie Maria 2 comentários
Por Daniel Pinheiro
Grifos meus
No dia 29 de outubro de 2005 uma aluna da faculdade Uniban compareceu à sua aula com um vestido provocante. O fato é que uma grande quantidade de alunos foi flagrada dirigindo-se à ela como “prostituta”, entre outras coisas.
Muito se escreveu sobre o caso, por muita gente. Tanto o vídeo do fato (feito na hora com a câmera de aparelhos de telefone celular) quanto toda a repercussão da mídia e os artigos escritos a respeito podem ser encontrados na Internet.
Muito provavelmente o que ocasionou tudo isso foi a tentativa de fazer uma brincadeira (de mau gosto). Quando aqueles alunos gritavam “prostituta” não estavam censurando a aluna por usar mini-saia. Quem poderia imaginar que centenas de alunos, criados e educados em uma sociedade extremamente sexualizada como a nossa – que valoriza e vê tudo que é sensual com a maior naturalidade – poderiam de repente virar moralistas tão pertinazes? Parece que muita gente seria capaz de crer numa história de fada como essas, a julgar por muitos comentários em blogs, no You Tube e pelo que ouvi eu mesmo de pessoas próximas:
“Isso só tem uma explicação: Eles são um bando de gays, de frouxos…” (referindo-se aos alunos da Uniban).
É óbvio que eles não viraram moralistas ou homossexuais de uma hora para outra. O que houve foi uma brincadeira que foi crescendo e tomou proporções mais sérias. É interessante perceber como apupos voltados para a sensualidade da aluna sejam confundidos com agressões. Uma outra aluna da Uniban falou para um grande portal de notícias:
“Foi só zoeira…”
Ouvi ainda uma pessoa conhecida minha dizer:
“Mesmo se ela estivesse nua, era para os homens respeitarem”.
Essa frase está certa. João Paulo II, na Teologia do Corpo, tenta vislumbrar um pouco a nossa experiência original. No paraíso, antes da queda do pecado original, Adão e Eva estavam nus, e não havia a vergonha da nudez. “O homem e sua mulher estavam nus, mas não se envergonhavam.” (Gênesis 2, 25). A vergonha não existia, pois não havia pecado. O olhar de Adão para Eva (e vice-versa) era um olhar apenas de amor. Não havia a malícia (desejo desordenado, querer apenas usar o outro). É difícil para nós imaginar como seria isso, porque na nossa experiência não estamos nunca 100% livres da malícia. Mas antes do pecado original isso era possível.
Imagine Adão e Eva olhando para o corpo nu um do outro, e isso trazer aos seus corações apenas o amor e a “imagem e semelhança de Deus”, segundo a qual foram criados. O corpo humano foi criado originalmente por Deus para ser “Imago Dei”, imagem de Deus. Nesse sentido, ele é “sacramento”, no sentido mais amplo da palavra, que significa “sinal visível da presença de Deus”.
Porém, nas circunstâncias da Uniban, e em qualquer circunstância atual, a exigência de pureza por parte do olhar masculino não exime a mulher do recato e da modéstia que ela deve ter para com o próprio corpo, e isso em beneficio dela própria. De fato, depois que a malícia passou a fazer parte do olhar humano, depois da queda do paraíso e da entrada do pecado original no mundo, a vergonha que nos faz cobrir nossos corpos tem dois sentidos. Primeiro, é um atestado do lado negativo de nossa vergonha (literalmente: “é uma vergonha mesmo”). A necessidade de cobrir nosso corpo atesta que não temos mais o olhar puro. Cobrimo-nos porque temos medo do olhar do outro: já temos certeza que não será um olhar de puro amor, mas conterá malícia e desejo de “possuir” o corpo do outro como objeto. A pessoa deixa de ser sujeito para ser instrumento de prazer alheio.
Mas há um sentido positivo na entrada em cena da vergonha. Ela mostra que mantemos nossa integridade, o senso de que nosso corpo faz parte de quem somos, e que portanto não pode ser visto com malícia, nem servir de instrumento para uso do outro. Por isso nos vestimos. E devemos continuar nos vestindo com muito recato e modéstia no nosso mundo, enquanto vivermos no estado decaído, enquanto não chega a ressurreição e o reino definitivo de Deus. Vestindo-nos, estamos dizendo que ainda reconhecemos nossa dignidade: não fomos feitos para a malícia, mas para o amor do outro. Eis porque o casamento não é mero “passe” para permissão de todo tipo de luxúria e desejo desordenado. Pelo contrário, deve ser um retorno à condição original de amor total: amo tanto essa pessoa, e sou tão amado por ela, que confio que seu olhar será só de amor, e não de posse egoísta. Isso permite e torna santa tanto minha nudez frente ao cônjuge, quanto a conseqüente relação sexual que consuma a união sacramental do matrimônio.
Mas, voltando à garota da Uniban, veja como é curioso. Acharam que os alunos eram uma espécie de moralistas. Essas duas frases abaixo saíram da mesma pessoa, uma atrás da outra:
“Isso só tem uma explicação, eles são todos gays mesmo, ou estavam com inveja do corpo dela. Se ela estivesse completamente nua, mesmo assim ninguém podia ter feito o que fez”.
Veja só: Essa pessoa pede corretamente a pureza no olhar masculino, dizendo que ninguém podia ter feito aquilo (portanto todos estariam desejando ansiosamente vê-la quase nua). Mas, ao mesmo tempo, ironiza o suposto moralismo deles, dizendo que “são todos gays”, ou seja, não sentiriam o menor desejo por ela. Ou ainda hipócritas, no fundo desejando, mas no exterior condenado. Afinal de contas, eles estavam desejando-a ou não?
Essa aparente contradição é sintomática da mentalidade que já vi muitas vezes em muitos lugares. As pessoas querem ser desejadas, e para isso se vestem e se comportam de todo tipo de maneira. Ao mesmo tempo, querem ser olhadas com pureza, reclamam quando alguém “dá um assovio” etc. Para algumas pessoas, levar assovio de alguém ainda vai. Mas levar assovio de centenas de pessoas é inaceitável, pois evidencia demais, se torna ameaça.
Essa dicotomia não é sequer percebida por quase ninguém. Imagine uma garota em qualquer faculdade sendo desejada e “buscada” ao mesmo tempo por centenas de rapazes. Seria outro caso Uniban. Só isso. O que era cortejo vira agressão. Mas o que é preciso perceber é que qualquer olhar impuro a uma mulher já é uma agressão à sua dignidade. Isso só ficou óbvio no caso da Uniban pelas proporções numéricas, mas continua sendo verdade em cada caso singular, pessoa a pessoa. Quando se veste de modo provocante, toda mulher está atraindo a si possíveis olhares impuros, que nada mais estarão fazendo do que agredir a própria dignidade dela mesma. É certo que homem nenhum deve olhar com impureza, mesmo sendo provocado a isso. “Ora, eu vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5, 28).
Por outro lado, é verdade que as mulheres é que saem perdendo em sua dignidade logo de cara ao se vestirem como a aluna da Uniban. Só que isso não é percebido por quase ninguém. Pelo contrário, o fato ocasionou um protesto na mesma faculdade. Alguns alunos ficaram completamente despidos, reclamando o direito de se vestirem (ou não) de qualquer forma. Uma verdadeira inversão das coisas, baseada numa interpretação errônea, supondo um moralismo por parte dos alunos, o que não existiu no caso. Corretamente compreendido, tudo isso devia evidenciar somente a necessidade e o nosso desejo mais profundo por recato e modéstia, e pela pureza do olhar…
Função da Roupa
Julie Maria Deixe um comentário
“A função da roupa é precisamente ocultar algumas partes do corpo, adornando-o de tal modo que, mesmo que seja “agradável vê-lo’, a atenção não se deixe absorver por ele, mas alcance a própria pessoa. De outra forma, as relações entre as pessoas — sobretudo entre o homem e a mulher — descem a um nível infra-pessoal, que se poderia definir como “desumano’. É evidente que, quando o pudor é ignorado pela moda, já não se pode falar de elegância. A única palavra que nos resta usar é a contrária: grosseria.“
sábado, 23 de janeiro de 2010
Abortar é um “direito” humano?
Abortar é um “direito” humano?
Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão. Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos. E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo. Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim. Mt 24,10-14
Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias! Mt 24,19
* Abortar é um “direito” humano? e o filho, onde fica seu direito humano à vida?
Fonte: Mídia sem Máscara
O que surpreende em tudo isso é a quase total omissão das entidades que representam os direitos humanos. Onde estão os milhares de ONGs que vivem falando em direitos humanos? Onde estão os líderes dos direitos humanos no Brasil?
Poucos planos ou ações do atual governo causaram tantas críticas e polêmicas como o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Trata-se de um plano, ou seja, é um modelo de projeto que o governo federal pretende aprovar no Parlamento.
Sinteticamente podemos resumir o Plano Nacional de Direitos Humanos em quatro pontos:
1. Criação da Comissão da Verdade. Essa comissão terá amplos poderes para julgar e condenar quem bem quiser. Basta um cidadão não se declarar de esquerda para ser processado por essa comissão. Na prática a Comissão da Verdade é o primeiro núcleo do futuro Ministério da Verdade, o qual terá amplos poderes para investigar a vida de qualquer cidadão, mesmo que não haja qualquer denúncia contra ele. É sempre bom lembrar que uma das características de todo regime socialista é o desejo obsessivo de conhecer e controlar a consciência do cidadão.
2. Aprovação do casamento homossexual.
3. Retirada de todos os símbolos religiosos de lugares públicos, incluindo escolas, universidades, repartições públicas, praças e até mesmo a retirada da imagem do Cristo Redentor no Rio de Janeiro.
4. Legalização total do aborto.
O PNDH é uma espécie de saco da maldade, ou seja, em um pequeno projeto o governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva pretende de uma só vez legalizar e normatizar tudo o que ele não conseguiu em sete anos de poder. Na prática trata-se de um esboço do que será a futura sociedade brasileira sendo dominada pelo socialismo.
Será uma sociedade onde as pessoas não poderão expor seus símbolos e crenças religiosas – haverá perseguição religiosa -, estarão sob vigilância constante do da Comissão da Verdade ou do Ministério da Verdade e crianças não poderão nascer porque terão que ser abortadas.
O prêmio de consolação é o casamento homossexual. Em todo país está havendo muitas mobilizações contra esse projeto que de direitos humanos só tem mesmo o nome.
Todavia, a questão do aborto mais uma vez é silenciada pela grande mídia. Ela está mais preocupada com reality show e com as futilidades da vida dos astros da TV e do cinema do que com a valorização da vida humana. Entretanto, sobre a questão da legalização total do aborto posta no PNDH é preciso fazer três afirmações.
Primeira, o governo afirma desde o dia em que o Plano Nacional de Direitos Humanos foi oficialmente lançado, em 21/12/2009, que conta com a assinatura de 31 ministros e com o apoio de 14.000 pessoas. O que são 31 assinaturas de ministros, a maioria dos quais cumpriu apenas sua obrigação política, e 14.000 pessoas, a maioria militantes da esquerda, comparada aos 97% da população brasileira que é contra o aborto? O presidente Lula e as esquerdas sempre tiveram um discurso afirmando a democracia e a consulta as bases. No tocante ao aborto não houve nem afirmação da democracia e nem consulta as bases. Qualquer pesquisa feita no Brasil mostra que o povo brasileiro é totalmente contra o aborto. Apenas uma pequena minoria que pensa que está acima da democracia e da liberdade deseja implantar o aborto no Brasil de qualquer forma e a todo custo.
Segunda, por trás dessa obsessão que a esquerda e o governo Lula possuem, a da legalização total do aborto, existe o desejo mal disfarçado de controlar a vida privada dos cidadãos. Nos países socialistas é muito comum uma mulher grávida ser obrigada pelo governo a abortar.
Terceira, desde quando Lula foi eleito presidente da república que uma das metas é a legalização do aborto. O governo Lula tentou fazer no Brasil o que fizeram em outros países, ou seja, legalizar o aborto por meio de um projeto de lei aprovado no Parlamento. Apesar de quase 100% da população do país ser contra o aborto, seria muito mais fácil legalizar o aborto por meio do Parlamento. Por meio da distribuição de dinheiro público aos parlamentares o governo apostava que conseguiria facilmente legalizar o aborto. Entretanto, a mobilização da sociedade impediu que a matança de inocentes fosse legalizada. Dessa vez a coisa seria mais sutil, ou seja, o governo colocou, meio disfarçado, a legalização do aborto no PNDH. Se ninguém reclamasse o aborto seria facilmente legalizado e não haveria se quer uma única discussão sobre o tema. Na prática o PNDH representa a maior fraude contra a democracia e a liberdade individual. O direito fundamental, ou seja, o direito de nascer está sendo brutalmente negado. Tudo em nome da ideologia da esquerda.
O PNDH é uma tentativa do governo Lula para implantar uma sociedade quase totalitária, na qual haverá uma Comissão da Verdade e nascer não será mais um direito. Esse plano demonstra o quanto esse governo é autoritário. No final do seu governo Lula finalmente tirou a mascara e se revelou como sendo mais um candidato a ditador que se utiliza da expressão direitos humanos para implantar um modelo de Estado, no qual até mesmo o direito de nascer é negado.
O que surpreende em tudo isso é a quase total omissão das entidades que representam os direitos humanos. Onde estão os milhares de ONGs que vivem falando em direitos humanos? Onde estão os líderes dos direitos humanos no Brasil? Lideres que estão omissos diante do Plano Nacional de Direitos Humanos. Justamente o plano que pretende implantar o fim da liberdade no Brasil, incluindo a liberdade de poder nascer.
vamos nos consientizar para que nas proximas eleições não voltarmos naqueles que querem tirar a nossa liberdade, o nosso direito de viver de sermos livres em Jesus cristo que nos ensina como viver para sermos felizes pense nisso, pense no futuro da humanidade e de nossos filhos. Devemos estar acordados, para que este dia não nos pegue de surpresa.
Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. Mt 5,21
Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente. Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos. Isaías 55,6-9
Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão. Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos. E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo. Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim. Mt 24,10-14
Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias! Mt 24,19
* Abortar é um “direito” humano? e o filho, onde fica seu direito humano à vida?
Fonte: Mídia sem Máscara
O que surpreende em tudo isso é a quase total omissão das entidades que representam os direitos humanos. Onde estão os milhares de ONGs que vivem falando em direitos humanos? Onde estão os líderes dos direitos humanos no Brasil?
Poucos planos ou ações do atual governo causaram tantas críticas e polêmicas como o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Trata-se de um plano, ou seja, é um modelo de projeto que o governo federal pretende aprovar no Parlamento.
Sinteticamente podemos resumir o Plano Nacional de Direitos Humanos em quatro pontos:
1. Criação da Comissão da Verdade. Essa comissão terá amplos poderes para julgar e condenar quem bem quiser. Basta um cidadão não se declarar de esquerda para ser processado por essa comissão. Na prática a Comissão da Verdade é o primeiro núcleo do futuro Ministério da Verdade, o qual terá amplos poderes para investigar a vida de qualquer cidadão, mesmo que não haja qualquer denúncia contra ele. É sempre bom lembrar que uma das características de todo regime socialista é o desejo obsessivo de conhecer e controlar a consciência do cidadão.
2. Aprovação do casamento homossexual.
3. Retirada de todos os símbolos religiosos de lugares públicos, incluindo escolas, universidades, repartições públicas, praças e até mesmo a retirada da imagem do Cristo Redentor no Rio de Janeiro.
4. Legalização total do aborto.
O PNDH é uma espécie de saco da maldade, ou seja, em um pequeno projeto o governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva pretende de uma só vez legalizar e normatizar tudo o que ele não conseguiu em sete anos de poder. Na prática trata-se de um esboço do que será a futura sociedade brasileira sendo dominada pelo socialismo.
Será uma sociedade onde as pessoas não poderão expor seus símbolos e crenças religiosas – haverá perseguição religiosa -, estarão sob vigilância constante do da Comissão da Verdade ou do Ministério da Verdade e crianças não poderão nascer porque terão que ser abortadas.
O prêmio de consolação é o casamento homossexual. Em todo país está havendo muitas mobilizações contra esse projeto que de direitos humanos só tem mesmo o nome.
Todavia, a questão do aborto mais uma vez é silenciada pela grande mídia. Ela está mais preocupada com reality show e com as futilidades da vida dos astros da TV e do cinema do que com a valorização da vida humana. Entretanto, sobre a questão da legalização total do aborto posta no PNDH é preciso fazer três afirmações.
Primeira, o governo afirma desde o dia em que o Plano Nacional de Direitos Humanos foi oficialmente lançado, em 21/12/2009, que conta com a assinatura de 31 ministros e com o apoio de 14.000 pessoas. O que são 31 assinaturas de ministros, a maioria dos quais cumpriu apenas sua obrigação política, e 14.000 pessoas, a maioria militantes da esquerda, comparada aos 97% da população brasileira que é contra o aborto? O presidente Lula e as esquerdas sempre tiveram um discurso afirmando a democracia e a consulta as bases. No tocante ao aborto não houve nem afirmação da democracia e nem consulta as bases. Qualquer pesquisa feita no Brasil mostra que o povo brasileiro é totalmente contra o aborto. Apenas uma pequena minoria que pensa que está acima da democracia e da liberdade deseja implantar o aborto no Brasil de qualquer forma e a todo custo.
Segunda, por trás dessa obsessão que a esquerda e o governo Lula possuem, a da legalização total do aborto, existe o desejo mal disfarçado de controlar a vida privada dos cidadãos. Nos países socialistas é muito comum uma mulher grávida ser obrigada pelo governo a abortar.
Terceira, desde quando Lula foi eleito presidente da república que uma das metas é a legalização do aborto. O governo Lula tentou fazer no Brasil o que fizeram em outros países, ou seja, legalizar o aborto por meio de um projeto de lei aprovado no Parlamento. Apesar de quase 100% da população do país ser contra o aborto, seria muito mais fácil legalizar o aborto por meio do Parlamento. Por meio da distribuição de dinheiro público aos parlamentares o governo apostava que conseguiria facilmente legalizar o aborto. Entretanto, a mobilização da sociedade impediu que a matança de inocentes fosse legalizada. Dessa vez a coisa seria mais sutil, ou seja, o governo colocou, meio disfarçado, a legalização do aborto no PNDH. Se ninguém reclamasse o aborto seria facilmente legalizado e não haveria se quer uma única discussão sobre o tema. Na prática o PNDH representa a maior fraude contra a democracia e a liberdade individual. O direito fundamental, ou seja, o direito de nascer está sendo brutalmente negado. Tudo em nome da ideologia da esquerda.
O PNDH é uma tentativa do governo Lula para implantar uma sociedade quase totalitária, na qual haverá uma Comissão da Verdade e nascer não será mais um direito. Esse plano demonstra o quanto esse governo é autoritário. No final do seu governo Lula finalmente tirou a mascara e se revelou como sendo mais um candidato a ditador que se utiliza da expressão direitos humanos para implantar um modelo de Estado, no qual até mesmo o direito de nascer é negado.
O que surpreende em tudo isso é a quase total omissão das entidades que representam os direitos humanos. Onde estão os milhares de ONGs que vivem falando em direitos humanos? Onde estão os líderes dos direitos humanos no Brasil? Lideres que estão omissos diante do Plano Nacional de Direitos Humanos. Justamente o plano que pretende implantar o fim da liberdade no Brasil, incluindo a liberdade de poder nascer.
vamos nos consientizar para que nas proximas eleições não voltarmos naqueles que querem tirar a nossa liberdade, o nosso direito de viver de sermos livres em Jesus cristo que nos ensina como viver para sermos felizes pense nisso, pense no futuro da humanidade e de nossos filhos. Devemos estar acordados, para que este dia não nos pegue de surpresa.
Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. Mt 5,21
Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente. Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos. Isaías 55,6-9
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
TESTEMUNHO DE GLORIA POLO
TESTEMUNHO DE GLORIA POLO
Extraído de uma das entrevistas feitas à Dra. Gloria Polo na Rádio Maria (Colômbia).
Irmãos! Realmente é muito lindo poder estar aqui compartilhando esse maravilhoso presente que o Senhor me deu há mais de 10 anos. Isso aconteceu em 8 de maio de 1995 na Universidade Nacional de Bogotá. Eu e um sobrinho estávamos nos especializando em odontologia e tínhamos que buscar uns livros na Faculdade de Odontologia numa sexta-feira à tarde. Meu esposo estava conosco. Estava chovendo muito forte, eu e meu sobrinho estávamos debaixo de um pequeno guarda-chuva e meu esposo tinha sua jaqueta impermeável e se aproximou da parede da Biblioteca Geral, e nós, enquanto saltávamos as poças d’água, sem perceber nos aproximamos de umas árvores. Quando fomos saltar uma grande poça, caiu um raio sobre nós. Nos deixou carbonizados e meu sobrinho faleceu ali. Ele era um rapaz, apesar da pouca idade, muito entregue ao Senhor e era muito devoto do Menino Jesus. Ele usava uma medalhinha do Menino Jesus no peito, dentro de uma moldura de cristal. Segundo o laudo, o raio entrou através da medalha e atingiu-lhe o coração, queimando-o por dentro e saindo pelo pé, mas por fora ele não se carbonizou, nem se queimou. Por outro lado, o raio entrou em mim pelo braço, me queimou de forma espantosa todo o meu corpo, por fora e por dentro. Isso que estão vendo aqui, este corpo reconstituído, é misericórdia de Nosso Senhor. Fui carbonizada, fiquei sem seios, praticamente me desapareceu toda minha carne e minhas costelas, o ventre, as pernas... o raio saiu pelo meu pé direito, me carbonizou o fígado, se queimaram os rins, os pulmões... Eu usava DIU, de maneira que o T de cobre, bom condutor elétrico, me carbonizou, me pulverizou os ovários, tive uma parada cardíaca, fiquei ali, sem vida, meu corpo pulava por causa da eletricidade que ficou por todo este local. Mas vejam, esta é só a parte física. A parte mais bonita, a parte mais linda, é que enquanto meu corpo estava ali carbonizado, eu, neste instante, me encontrava dentro de um lindo túnel branco, era uma delícia, uma paz, uma felicidade que não há palavras humanas para descrever a grandeza deste momento, era um êxtase imenso, eu ia muito feliz, nada me pesava dentro deste túnel, olhei ao fundo desse túnel e havia como um sol, uma luz lindíssima. Eu digo que é branco para colocar uma cor, mas nenhuma das cores é comparável humanamente a essa luz maravilhosa. Eu sentia a fonte de todo esse Amor, dessa paz...
Quando eu vou subindo, digo... “Quarta-feira! Eu morri!” E nesse instante penso nos meus filhos e digo: “Ai meu Deus, meus filhos! O que vai ser deles? Essa mãe tão ocupada, nunca teve tempo para eles.” Aí me dou conta da minha realidade de vida e me sinto triste. Saí de minha casa para transformar o mundo e meu lar, meus filhos, pareciam demais para mim.
Neste instante de vazio pelos meus filhos, dou uma olhada e vejo algo belo... Meu corpo já não estava nas medidas de tempo nem de espaço daqui da Terra, e vi todas as pessoas num mesmo instante, num mesmo momento, todas as pessoas, as vivas e as mortas e abracei os meus bisavós. Abracei meus pais que já haviam falecido, abracei a todos e foi um momento pleno e maravilhoso. Aí me dei conta de que havia caído por terra a teoria da reencarnação e eu via meu avô, meu bisavô, eles me abraçaram por um momento e encontrei com todas as pessoas que tiveram a ver comigo em minha vida, em todo lugar, ao mesmo instante. Só minha filha de 9 anos (que estava viva) que se assustou quando a abracei, ela sim sentiu meu abraço. Não havia passado nada de tempo nesse momento tão lindo, e que maravilha estar sem o corpo! Já não via as coisas como antes, quando só olhava se alguém era gordo, ou magro, ou feio, ou negro, sempre olhando com critérios. Não era assim quando não tinha meu corpo humano. Eu podia ver o interior das pessoas, como é lindo poder ver o interior das pessoas! Ver nelas seus pensamentos, seus sentimentos. Abracei a todos em um instante e, no entanto, eu continuava subindo e subindo, cheia de alegria. Quando senti que ia desfrutar de uma vista fantástica onde havia no fundo um lago belíssimo, neste mesmo instante, ouço a voz do meu esposo, ele chora e com um grito profundo e cheio de sentimento me grita: “O que aconteceu? Gloria! Por favor, não se vá! Volte, Gloria! As crianças, Gloria! Não seja covarde!” Neste instante, dou uma olhada como que global e o vejo chorando, com muita dor e então o Senhor me concede regressar. Eu não queria vir, de tanta alegria, paz e felicidade. Então, comecei a descer devagar, buscando meu corpo e me encontrei sem vida. Meu corpo estava na maca da enfermaria da Universidade Nacional de Enfermagem, via como os médicos davam choques elétricos em meu coração para me salvar da parada cardíaca. Durante duas horas e meia fiquei ali jogada, porque não podiam nos levar dali porque “lhes passávamos corrente” a todo mundo, até que finalmente deixamos de “passar corrente” e puderam nos atender. Começaram a me reanimar. Eu cheguei e pus os meus pés aqui no topo de minha cabeça e com violência uma faísca entrou em mim. Eu entrei no meu corpo, me doeu muito entrar e senti que saíam faíscas por todos os lados. Eu sentia encapsular-me nisto “tão pequenininho”. E a dor que sentia, minha carne queimava, como me doía! Saía fumaça e vapor. E a dor mais terrível, a dor de minha vaidade. Eu tinha critérios para tudo, era uma mulher executiva, era a intelectual, a estudante, a escravizada pelo corpo, escrava da beleza e da moda: 4 horas diárias de exercícios aeróbicos. Escravizada para ter um corpo bonito. Massagens, dietas, bem... de tudo o que possam imaginar, essa era minha vida. Uma rotina de escravidão por um belo corpo. E eu dizia: Bem...se tenho seios bonitos é para mostrar, assim como minhas pernas, porque sentia que tinha pernas esculturais, assim como os seios, e num instante via tudo com horror. Toda uma vida cuidando do corpo. Isso era o centro da minha vida, o amor ao meu corpo. E já não havia corpo. Nem seios. Havia uns buracos impressionantes em todo o seio esquerdo, estava praticamente desaparecido, e minhas pernas, era o mais terrível, havia pedaços vazios e sem carne, tudo preto, carbonizado...
Dali me levaram ao Seguro Social, rapidamente me operaram e começaram a raspar todos os meus tecidos queimados. Quando estou anestesiada, volto a sair do meu corpo. Estava olhando o que faziam os médicos com o meu corpo. Estava preocupada com minhas pernas. De repente aconteceu algo terrivelmente horroroso. Porque conto a vocês, irmãos, eu fui uma “Católica Dietética” durante toda a minha vida. Minha relação com o Senhor era uma eucaristia aos domingos, em missas de 25 minutos, onde o padre falasse menos, porque que desespero e que angústia! Essa era minha relação com Deus. E como essa era a relação que eu tinha com Deus, todas as correntes do mundo me arrastavam como um cata-vento, a ponto de que quando já estava me especializando nos estudos, o mundo me dizia que o inferno não existia, que os diabos não existiam. Medo? Quem disse? Mas vergonhosamente confesso que a única coisa que me mantinha na igreja era o medo do diabo. Quando me diziam que não existe, que luta! E eu dizia: “Bem...Todos vamos para o Céu, não importa como somos.” Então, isso terminou afastando-me de uma vez do Senhor. O pecado não ficou só em mim e começo a piorar ainda mais minha relação com o Senhor. Começo a dizer a todo mundo que os demônios não existem, que são invenção dos padres, que são manipulações. Com meus companheiros da Nacional, comecei a acreditar no conto de que Deus não existia e que éramos produto da evolução. Vejam, quando me vejo neste instante, que susto terrível! Vejo uns demônios que vêm buscar seu pagamento: Eu! Nesse instante, começo a ver como da parede do centro cirúrgico começam a brotar muitíssimas pessoas. Aparentemente pessoas comuns, mas com um olhar de ódio tão grande, um olhar espantoso, e me dou conta que neste instante que em meu corpo há uma sabedoria especial e percebo que devo algo a todos eles, que o pecado não foi grátis e que a principal infâmia e mentira do demônio foi dizer que não existia, e vejo que vêm ao meu encontro e começam a me rodear e querem me levar. Vocês façam idéia do susto, do terror que senti. Essa mente científica e intelectual já não me servia de nada. Eu caía ao chão, tentava voltar para dentro do meu corpo, mas minha carne não me recebia. Neste susto tão terrível, saí correndo e não sei em que instante atravessei a parede do centro cirúrgico. Eu pretendia me esconder pelos corredores do hospital, mas quando passei pela parede do centro cirúrgico... “zas”, dei um salto no vazio...
Entrei por uma quantidade de túneis que vão para baixo. No princípio tinham luz e eram luzes como colméias de abelhas, onde havia muitíssima gente. Mas eu vou descendo e a luz vai se perdendo e começo a andar nos túneis de trevas espantosas e quando chego a umas trevas, essas não se coparam com as trevas que conhecemos. Imagine que o mais escuro do escuro que conhecemos se parece à luz de meio-dia comparado a essas trevas que vi. Não se pode comparar. Elas mesmas ocasionam dor, horror, vergonha e cheiram mal. E eu termino essa descida por entre todos os túneis e chego desesperada a uma parte plana... Essa vontade de ferro que eu dizia que tinha, onde me sentia capaz de tudo, já não me servia de nada. Eu queria subir, mas não podia, e estava ali. Vejo como nesse piso se abre uma boca enorme e sinto um vazio impressionante em meu corpo, um abismo ao fundo inenarrável, porque o mais espantoso desse oco era que não se sentia nem um pouco o Amor de Deus, nem uma gota de esperança e esse oco tem algo que me suga para dentro e eu grito aterrorizada. Eu sabia que se entrasse aí, minha alma estaria morta. Esse horror era tão grande e quando estou entrando, algo me sustenta pelos pés. Meu corpo entrou neste oco, mas meus pés estavam sustentados para cima. Foi um momento muito doloroso e terrível. Vejam só... Meu ateísmo ficou pelo caminho e comecei a gritar: “Almas do purgatório! Por favor, me tirem daqui!” Quando eu estava gritando, foi um momento de uma dor imensa, porque me dou conta de que aí se encontram milhares e milhares de pessoas neste oco, sobretudo jovens, e com dor me dou conta que começo a escutar ranger de dentes, com uns gritos e lamentações que me estremeciam. Muitos anos me custaram para assimilar isso, porque eu me punha a chorar cada vez que me lembrava do sofrimento destas pessoas, e percebo que ali estavam todas as pessoas que em um segundo de desespero se haviam suicidado e estavam nestes tormentos com todas as coisas que ai se encontravam, mas o mais terrível destes tormentos é a ausência de Deus. Não se sentia o Senhor. Nessa dor, começo a gritar: “Quem se equivocou? Olhem como sou santa! Jamais roubei, eu nunca matei, eu fazia compras para os pobres, eu extraía dentes de graça ajudando os que necessitavam. O que faço aqui? Eu ia à Missa aos domingos, apesar de que me considerasse atéia, nunca faltei, se faltei cinco vezes à Missa em toda a minha vida foi muito. Eu era alma que sempre ia à Missa. E o que faço aqui? Eu sou católica, por favor, eu sou católica, tirem-me daqui!” Quando estou gritando que sou católica, vejo uma pequena luz. Entendam que uma luz nestas trevas é o maior presente que alguém poderia receber. Vejo umas escadas por cima deste oco, vejo meu pai, que havia falecido cinco anos atrás, ele estava quase atrás do oco, tinha um pouquinho de luz e quatro degraus mais acima vejo minha mãe, com muito mais luz e numa posição de oração. Quando os vi me deu uma alegria tão grande e comecei a gritar: “Paizinho, mãezinha, por favor, me tirem daqui, eu suplico, me tirem daqui!” Quando eles baixaram a vista e meu pai me viu ali... se houvessem visto que dor tão grande eles sentiram; neste lugar podemos sentir os sentimentos dos outros, podemos ‘ver’ essa parte e ‘vi’ essa dor tão grande. Meu pai começou a chorar e colocava as mãos na cabeça e tremia: “Minha filha, minha filha!” E minha mãe orava, então percebo que eles não podem me tirar dali e a dor que me inundava era sentir a dor que eles sentiam e estavam compartilhando essa dor comigo. Começo a gritar de novo: “Por favor, vejam, me tirem daqui, eu sou católica! Quem se enganou? Por favor, me tirem daqui!” E quando estou gritando pela segunda vez, se escuta uma voz, é uma voz doce, é uma voz que quando a escuto, se estremece toda a minha alma, e tudo se inundou de amor e de paz, e todas estas criaturas saíram apavoradas, porque elas não resistem ao Amor, nem à paz e eu sinto essa paz, e essa voz me diz: “Muito bem, se você é católica, diga-me os dez mandamentos da lei de Deus.”
E que golpe tão horrível! Ouviram? Eu sabia que eram dez, mas daí em diante, nada! “Quarta-feira! O que vou fazer aqui?” Minha mãe sempre me falava do primeiro mandamento de Amor. Finalmente me serviu para alguma coisa. Vamos ver como me sairei dessa, pensava... Tomara que não se lembrem dos demais mandamentos. Pensava em manipular a situação, como sempre costumava fazer por aqui, eu sempre tinha resposta para tudo, tinha a desculpa perfeita, e sempre me justificava e me defendia de tal maneira que ninguém perceberia o que eu não sabia. Então começo a dizer: “O primeiro: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”... “Muito bem” – e me dizem: “Você O tem amado?” E eu digo: “Sim, eu sim, eu sim!” E é quando me dizem: “Não!” Vejam, quando me disseram “não!”, aí sim senti a corrente elétrica daquele raio, porque eu não percebi em que parte me havia caído o raio, não sentia nada, e me dizem: “Não! Você não tem amado ao seu Senhor sobre todas as coisas, e muitíssimo menos ao seu próximo como a você mesma. Você fez um deus e o acomodou à sua vida só nos momentos de necessidade! Você se prostrava diante Dele quando era pobre, quando sua família era humilde, quando queria se tornar uma profissional! Aí sim todos os dias você rezava, e se prostrava tempos inteiros, horas inteiras suplicando ao seu Senhor! Orando e pedindo para que Ele a tirasse dessa pobreza e permitisse que fosse uma profissional , que fosse alguém! Quando tinha necessidade, ou queria dinheiro, então rezava um Rosário ao Senhor. Essa era a relação que você tinha com o Senhor!” Eu via ao meu Senhor de verdade com tristeza. Comento que minha relação com Deus era de ‘caixa automático’. Rezava um Rosário e tinha que aparecer dinheiro, essa era minha relação com Ele. E me mostram, tão logo o Senhor me permitiu que tivesse uma profissão, que começo a ter um nome e começava a ganhar dinheiro, então o Senhor já me parecia “pequenininho”, e já comecei a ficar orgulhosa, nem sequer expressava uma mínima relação de amor com o Senhor. Ser agradecida? Jamais! Nem sequer abria os olhos dizendo... ‘Senhor, obrigada por este dia, obrigada por minha saúde, pela vida dos meus filhos, pela minha casa, coitadinhos dos que não tem casa, nem comida, Senhor!’ Nada. Era muito mal agradecida. E a voz seguia dizendo... “Fora isso, você pos o Senhor num nível tão baixo, que acreditava mais em Mercúrio e Vênus para ter sorte, andava cegada pela astrologia, dizendo que os astros conduziam a sua vida. Começou a andar em todas as doutrinas que o mundo oferecia. Começou a acreditar que simplesmente você morria e voltava para recomeçar. Você se esqueceu da ‘Graça!’, que havia custado um preço de sangue ao seu Senhor.” Me fazem um exame dos Dez Mandamentos. Mostram-me que eu dizia que adorava, que amava a Deus com minhas palavras, mas na verdade eu adorava a Satanás. Porque em meu consultório chegava uma senhora que fazia ‘mandingas’, e eu dizia... ‘Eu não acredito nisso, mas pode fazer, porque se não fizer bem, mal tampouco fará.’ E ela começava a fazer suas ‘mandingas’ para dar boa sorte. Ela havia posto num canto onde não se podia ver uma penca de aloés com uma ferradura para afastar as más energias.
Olhem tudo isso, que vergonhoso! Fazem uma análise da minha vida sobre os dez mandamentos, me mostram como atuei com o próximo, como dizia a Deus que o amava quando ainda não havia me afastado Dele, quando ainda não havia começado a andar no ateísmo eu dizia: “Meu Deus, eu te amo!” Mas com essa mesma língua que eu louvava o Senhor, com essa mesma língua eu falava mal de todo mundo, criticava, apontava com o dedo, sempre a ‘santa Gloria’, e me mostravam que eu dizia que amava a Deus, mas era uma invejosa, mal agradecida, jamais reconheci todo o esforço e o amor, a entrega de meus pais para me dar uma profissão, para me levantar. “Tão rápido você alcançou uma profissão, mas até seus pais já não tinham importância, a ponto de chegar a se envergonhar de sua mãe, pela humildade e pela pobreza dela.”
E me mostram como esposa...Quem era? Passava todo o dia renegando, desde que me levantava. Meu esposo me dizia: “Bom dia!” E eu respondia: “Que bom dia? Não vê que está chovendo?” Eu o renegava o tempo todo. E com meus filhos? Mostram-me que nunca, jamais tive compaixão para com o próximo, por meus irmãos de fora. E o Senhor me dizia: “Você nunca pensou: coitadinhos dos doentes, Senhor! Dá-me a graça de poder acompanhá-los em sua solidão. As crianças que não tem mãe, os órfãos, quantas crianças sofrendo, Senhor!” ...Meu coração era de pedra...no exame dos dez mandamentos não passei nem meio. Terrível! Espantoso! Vivia um verdadeiro caos. Como que eu não havia matado e assassinado tanta gente? Por exemplo, eu fiz muitas compras de supermercado para as pessoas que necessitavam, mas não dava por amor, dava pela imagem, porque como eu era muito rica eu queria ‘fazer bonito’ diante dos outros e assim eu manipulava as pessoas.
E então eu dizia: “Toma, lhe dou essa compra, mas você me faz o favor e vá à reunião do colégio dos meus filhos, porque eu não tenho tempo de ir a essas reuniões.” E assim eu dava coisas a todo mundo, mas eu os manipulava, além disso eu adorava que houvesse um montão de gente atrás me mim me dizendo que eu era bondosa, que eu era uma santa. Eu me criei uma imagem! E me dizem: “É que você tinha um deus e esse deus era o dinheiro! Por ele você se condenou! Por ele você afundou no abismo e se afastou do Senhor.” Nós havíamos tido muito dinheiro, mas estávamos quebrados, endividadíssimos, havia acabado nosso dinheiro, então, quando me dizem do ‘deus dinheiro’ eu gritei: “Mas que dinheiro se deixei muitas dívidas lá na terra?”
Quando me falaram, por exemplo, do segundo mandamento, via que eu, pequenina, infelizmente aprendi que para evitar os castigos da minha mãe que eram bastante severos, aprendi que as mentiras eram excelentes e comecei a caminhar com o pai da mentira (Satanás), e comecei a ficar mentirosa e à medida que meus pecados iam crescendo, as mentiras iam aumentando. Percebia que minha mãe respeitava muito o Senhor e para ela o nome do Senhor era santíssimo, então eu pensei e disse: “Aqui tenho a arma perfeita.” E comecei a jurar em vão, e lhe dizia: “Mãe, eu juro por Deus!” e assim evitava os castigos. Imaginem, quando metia eu colocava o Santíssimo nome do Senhor nas minhas porcarias, na minha imundície, porque eu estava tão cheia de sujeira e de tanto pecado...
E vejam, irmãos, aprendi que as palavras não se perdem ao vento. Quando minha mãe ficava irredutível eu lhe dizia: “Mãe, que me parta um raio se estou mentindo!”, e a palavra vagou pelo tempo e vejam que por misericórdia de Deus eu estou aqui, porque na realidade o raio entrou em mim e me partiu praticamente ao meio e me queimou.
Mostravam-me como eu, que me dizia católica, era uma pessoa que não tinha palavra e sempre me antepunha ao Santo nome do Senhor.
Fiquei impressionada ao ver como o Senhor mostrava a todas as criaturas estas coisas espantosas e se prostravam ao chão, numa adoração impressionante. Vi a Santíssima Virgem prostrada aos pés do Senhor, orando por mim, numa extrema adoração, e eu, pecadora, desde minha imundície, cara a cara com o Senhor. Como fui ‘tão boa’, renegando e maldizendo o Senhor...
Sobre o santificar as festas, foi espantoso. Senti uma imensa dor. A voz me dizia que eu dedicava de quatro a cinco horas ao meu corpo e nem sequer dez minutos diários de profundo amor ao Senhor, de agradecimento ou de uma oração. Começava a rezar o Rosário com tamanha velocidade e eu dizia: “Nos comerciais da novela consigo terminar o Rosário”. Mostravam como nunca fui agradecida ao Senhor, e também me mostravam o que eu dizia quando me dava preguiça de ir à Missa: “Mas mãe, se Deus está em todo lugar, que necessidade tenho de ir à Missa?” Claro que era muito cômodo dizer isso; e a voz me repetia que eu tinha ao Senhor por vinte e quatro horas ao dia disponível para mim, e eu não rezava nem um pouquinho, nem agradecia no domingo. Dediquei-me a cuidar do meu corpo, me tornei escrava, e me esqueci de um detalhe, que tinha uma alma e que jamais cuidei dela, nunca a alimentei com a Palavra de Deus porque eu, muito comodamente, dizia que quem lia a Palavra de Deus ficava louco.
Quanto aos sacramentos, nada! Como que eu poderia me confessar com ‘esse velhos que eram piores que eu’? Para mim era muito cômodo não ir confessar, o maligno me tirou da confissão e assim foi como me afastou da cura e limpeza da minha alma, porque cada vez que eu cometia um pecado, não era grátis, Satanás punha dentro da brancura de minha alma a sua marca, uma marca de trevas. Jamais, só em minha primeira comunhão fiz uma boa confissão, daí por diante, nunca mais, e recebia o Senhor indignamente. Chegou a tal ponto a blasfêmia, a incoerência da minha vida, que cheguei a dizer: “Que Santíssimo? Deus está vivo num pedaço de pão? Estes sacerdotes deveriam comê-lo com um pouco de doce de leite, quem sabe ficaria mais saboroso”...até este ponto chegou a degradação da minha relação com Deus.
Jamais alimentei minha alma, e para completar, só sabia criticar os sacerdotes. Se tivessem visto como foi terrível isso, na minha família, desde muito pequenos, criticávamos os sacerdotes, começando pelo meu pai...diziam que são mulherengos e que têm mais dinheiro do que nós e repetíamos estas coisas. E nosso Senhor me dizia: “Quem você pensava que era para se fazer passar por Deus e julgar meus ungidos?”, me dizia: “Eles são de carne, e é a comunidade que faz a santidade de um sacerdote, rezando, amando e apoiando quando um sacerdote cai em pecado.” O Senhor me mostrava que cada vez que eu criticava um sacerdote, me tomavam uns demônios. Fora isso, quanto mal eu fiz quando acusei um sacerdote de homossexual e toda a comunidade se interou, não imaginam quanto dano causei.
Do quarto mandamento: honrar pai e mãe. O Senhor me mostrava como já lhes comentei, como fui mal agradecida com meus pais, como os amaldiçoava e os renegava porque não podiam me dar tudo o que minhas amigas tinham. Como fui uma filha que não valorizava o que tinha, cheguei a ponto de dizer que aquela não era a minha mãe, porque parecia muito pouco para mim.
Foi espantoso ver o resumo de uma mulher sem Deus e como uma mulher sem Deus destrói tudo o que lhe rodeia, e ainda por cima, o pior de tudo é que eu achava que era boa e santa! O Senhor também me mostrou como eu achava que me sairia bem neste mandamento, só pelo fato de haver pago as consultas médicas e os remédios dos meus pais quando ficaram doentes, também como eu analisava tudo através do dinheiro e como eu os manipulei quando tinha dinheiro. Até me aproveitei deles, o dinheiro me endeusou e eu os pisoteei. Sabem o que me doeu? Ver meu pai chorando com tristeza, apesar de tudo ele havia sido um bom pai, que me havia ensinado a ser trabalhadora, empreendedora, e que devia ser honesta, porque só aquele que trabalha pode progredir. Mas ele se esqueceu de um detalhe, que eu tinha uma alma e que ele era um evangelizador com seu testemunho e como toda a minha vida começou a afundar por causa de tudo isso. Via o meu pai com dor quando era mulherengo, ele era feliz dizendo à minha mãe e a todo mundo que ele era ‘muito macho’ porque tinha muitas mulheres e que podia com todas, e que ademais fumava e bebia. Estes vícios o faziam sentir-se orgulhoso, pois ele não pensava que eram vícios, mas sim virtudes. Comecei a ver como minha mãe se cobria de lágrimas quando meu pai começava a falar das outras mulheres. Comecei a me encher de raiva, de ressentimento e começo a ver como o ressentimento leva à morte espiritual, sentia uma raiva espantosa de ver como meu pai humilhava minha mãe diante de todo mundo. Fiquei rebelde e disse á minha mãe: "Eu nunca serei como você, por isso nós mulheres não valemos nada, por culpa de mulheres como você, sem dignidade, sem orgulho, que se deixam pisotear pelos homens.” Quando já estava maior eu dizia ao meu pai: “Preste atenção pai, jamais vou permitir que um homem me humilhe como você humilha a minha mãe, se um homem chegar a ser infiel comigo, eu me separo.” Meu pai me bateu e me disse: “Como se atreve?” Meu pai era muito machista e eu lhe disse: “Então me bata e me mate se eu chegar a me casar e tiver um marido infiel. Eu me separo, para que os homens entendam como sofre uma mulher quando um homem a pisoteia.” Esse ressentimento e essa raiva tomaram conta de mim, e quando já tinha algum dinheiro, comecei a dizer à minha mãe: “Sabe de uma coisa? Separe-se do meu pai. Eu gosto muito dele, mas é impossível que você agüente um homem assim, seja digna, você tem que se dar valor, mãe.” Imaginem! Eu queria divorciar meus pais. Minha mãe me dizia: “Não filha, não é que não me doa, sim me dói muito, mas eu me sacrifico porque vocês são sete filhos e eu sou só uma. Eu me sacrifico porque afinal seu pai é um bom pai, e eu seria incapaz de ir e deixá-los sem pai, ademais, se eu me separo, quem vai orar para que seu pai se salve? Sou eu quem pode orar para que seu pai encontre a salvação, porque a dor e o sofrimento que ele me ocasiona eu uno às dores da cruz, e todos os dias digo ao Senhor; ‘esta dor não é nada unida à tua cruz, me permita que meu esposo se salve, assim como meus filhos.’ Eu não entendia isso. E sabem do que mais? Me deu tanta raiva... e isso fez com que minha vida mudasse e fiquei muito rebelde e comecei a me empenhar para defender os direitos da mulher. Comecei a defender o aborto, a eutanásia, o divórcio e a defender a lei de Talião, aquela que diz ‘olho por olho, dente por dente’. Nunca fui infiel fisicamente, mas prejudiquei muita gente com meus conselhos.
Quando chegamos ao quinto mandamento, o Senhor me mostrava que eu era uma assassina espantosa e que cometi o que é pior e mais abominável diante dos olhos de Deus, o aborto. O poder que me deu o dinheiro me serviu para financiar vários abortos, porque eu dizia: “A mulher tem direito a escolher quando quer ficar grávida ou não.” Olhei o Livro da Vida e me doeu tanto quando vi uma menina de catorze anos abortando. Eu a havia ensinado, porque sabem que quando uma pessoa está envenenada, nada fica bom e tudo o que está ao redor dela se envenena. Umas meninas, três sobrinhas minhas e a namorada do meu sobrinho abortaram. Deixavam-nas ir à minha casa porque eu tinha dinheiro. Eu as convidava, falava de moda, de glamour, de como exibir o corpo. Minha irmã as mandava aí. Olhem como eu as prostituí, prostituí menores, que foi outro pecado espantoso depois do aborto, porque eu lhes dizia: “Não sejam bobinhas minhas filhas, suas mães lhes falam de virgindade e de castidade, mas estão fora de moda, elas falam de uma Bíblia que foi escrita há mais de dois mil anos, e os sacerdotes não quiseram se modernizar, elas falam o que dizia o Papa, mas esse Papa está fora de moda.”
Imaginem meu veneno e eu ensinei a estas meninas que tinham que aproveitar, desfrutar do corpo, mas que tinham que se prevenir. Ensinei-lhes os métodos de planificação. “Mulher perfeita”, e essa menina de catorze anos, namorada do meu sobrinho chega um dia ao meu consultório chorando (eu vi no Livro da Vida) e me diz: “Gloria! Ainda sou criança e estou grávida!”, e eu lhe disse: “Tonta! Eu não lhe ensinei a se prevenir?” E então ela me disse: “Sim, mas não funcionou”. Então olhei, e o Senhor me colocava essa menina diante de mim para que não se afundasse no abismo, para que não fosse abortar, porque o aborto é uma corrente que pesa tanto, que arrasta e pisoteia, é uma dor que nunca se acaba, é o vazio de haver sido um assassino. E o que foi pior para essa menina, foi que em vez de falar-lhe do Senhor, lhe dei dinheiro para que fosse abortar num lugar muito bom para que não a prejudicassem. Assim como este aborto financiei vários outros. Cada vez que o sangue de um bebê se derrama, é como um holocausto a Satanás, é um holocausto, ao Senhor lhe dói muito e se estremece cada vez que se mata um bebê, porque no Livro da Vida, vi como nossa alma se apodera de nosso corpo tão somente quando se tocam o óvulo e o espermatozóide, surgindo como uma faísca linda de luz colhida do Sol de Deus Pai. O ventre de uma mãe, tão somente é fecundado e já se ilumina com o brilho dessa alma e quando se aborta, essa alma grita e geme de dor, ainda que não tenha olhos, nem um corpo formado, se escuta este grito quando lhe estão assassinando e o Céu se estremece e no inferno se escuta outro grito, mas de júbilo, e imediatamente do inferno, se abrem uns tipos de selos de onde saem umas larvas para seguir assediando a humanidade, e seguir fazendo-a escrava da carne e de todas estas coisas que existem e que estarão cada dia pior. Quantos bebês são mortos por dia? Isso é um triunfo para Satanás. Esse preço de sangue forma mais um demônio, então me lavam neste sangue e minha alma branca começou a ficar absolutamente escura. Depois dos abortos, perdi a convicção do pecado, para mim estava tudo bem. Foi triste ver como que neste compromisso com o maligno, pude ver todos os bebês que eu havia matado também, e sabem por que? Eu planificava com o uso do DIU (T de cobre) e foi doloroso ver quantos bebês haviam sido fecundados, e se haviam brilhado essas faíscas do Sol de Deus Pai, mas estes bebês, gritando, se desgarraram das mãos de Deus Pai. Era a razão que explicava meu constante mau humor, caras feias, vivia frustrada com todos e com muita depressão. Claro! Eu havia me tornado uma máquina de matar bebês. E isso me afundou mais no abismo... e pensava: “Como que não havia matado?” E o que dizer de cada pessoa que eu odiava, que eu detestava? Continuava sendo uma assassina, porque não é só com um disparo que se mata uma pessoa, basta odiá-la, fazer-lhe o mal, ter inveja dela, como isso já se pode matá-la.
Quanto ao sexto mandamento, de não pecar contra a castidade, eu disse: “Aqui não vão me falar de nenhum amante, porque por toda a vida só tive um homem que é meu esposo”. Quando me mostram que cada vez que eu estava com meus seios a mostra e meu corpo com minhas roupas insinuantes, estava incitando os homens a que me olhassem e tivessem maus pensamentos, e eu os fazia pecar e assim foi como entrei no adultério. Eu aconselhava as mulheres a serem infiéis com seus esposos e lhes dizia: “Não sejam bobas, divorciem-se, não os perdoem.” Já com isso estava cometendo um abominável adultério. E me dei conta que os pecados da carne são espantosos e são condenatórios, mas o mundo nos incita a atuarmos como animais. Infelizmente me soltei da mão do Senhor, porque os pecados estão nos pensamentos, na alma e na ação de cada pessoa. Foi tão doloroso ver todo esse pecado, por exemplo, esse pecado do adultério do meu pai, que causou dano e desgarrou seus filhos. A mim me causou ressentimento contra os homens, e meus irmãos se transformaram em três fiéis fotocópias do meu pai, felizes por serem ‘muito machos’, mulherengos e alcoólatras... Eles não percebiam como prejudicavam seus filhos. Por isso meu pai chorava, com tanta dor, vendo como seu pecado havia sido herdado por eles, por mim, prejudicando assim toda a obra de Deus.
O sétimo mandamento, o de não roubar, eu me considerava honesta, e o Senhor me mostrava como desperdiçávamos comida em minha casa. O mundo padecia de tanta fome, e Ele me dizia: “Eu tinha fome, e veja o que você fazia com o que eu te dava, desperdiçava tudo, eu tinha frio e olhe o que você fazia, escravizada pela moda, vivendo de aparências, gastando muito dinheiro em injeções para estar mais magra, escravizada pelo corpo. Em poucas palavras, você fez do seu corpo um deus.” O Senhor me mostrava que eu era culpada pela miséria do meu país e que sim, eu tinha a ver com isso. Também me mostrava que cada vez que eu falava mal de alguém, eu lhe roubava a honra e era difícil devolvê-la. Que era mais fácil reparar o roubo de um dinheiro, porque poderia devolver o valor roubado, do que restaurar o bom nome de uma pessoa. Eu me arrependia por não ter sido uma mãe carinhosa com meus filhos, por não haver ficado mais com eles em casa, por tê-los deixado tanto com a ‘mamãe televisão’, ‘o papai computador’, ou com os videogames e para acalmar minha consciência, lhes comprava roupas de marca. Mas me horrorizou ver minha mãe que se questionava, - e minha mãe foi uma santa mãe, que nos corrigia e nos amava, assim como meu pai -, e pude ver quando ela disse: “O que será de mim que nunca consegui dar nada para os meus filhos?” Que espanto, que dor tão grande...
Senti muita vergonha, porque no Livro da Vida a pessoa vê tudo como num filme, e meus filhos diziam: “Tomara que a mamãe demore, que tenham muito trânsito, porque ela é muito chata e só vive reclamando.” Que tristeza um menino de três anos e uma menina um pouco maior dizendo estas coisas...eu lhes roubei a sua mãe, lhes roubei a paz que eu daria à minha casa e não lhes deixei conhecer a Deus através de mim, e não lhes ensinei a amar o próximo. Se eu não amo ao meu próximo, eu não tenho nada a ver com o Senhor, se não tenho misericórdia, não tenho laços com o Senhor. Porque Deus é Amor...
Vou lhes falar sobre levantar falsos testemunhos. Eu sabia mentir muito bem e Satanás se tornou meu pai. Se Deus é Amor e eu odeio, então, quem é meu pai? Não era difícil de adivinhar e se Deus me fala do perdão e de amar meus inimigos eu dizia, “quem me prejudica, me paga!” Então, quem era meu pai? Se Deus é a verdade e Satanás é a mentira, quem era meu pai? Não há mentira rosa, nem amarela, nem verde, todas as mentiras são mentiras, e Satanás é o pai de todas elas. Tão terríveis foram os pecados da minha língua. Eu vi quanto dano causei com a minha língua. Eu fofocava, quando falava mal dos outros, causava complexos de inferioridade às pessoas gordinhas pondo-lhes apelidos pejorativos. Uma palavra mal dirigida sempre termina numa ação e causa dano.Quando me fazem o exame dos dez mandamentos, pude ver a cobiça que tomava conta de mim. Eu pensava que seria feliz tendo muito dinheiro e passei a ter uma obsessão por ficar rica. Que tristeza. Quando tive muito dinheiro, foi o pior momento que viveu minha alma, a ponto de querer me suicidar. Tinha tanto dinheiro e me sentia sozinha, vazia, amargurada e frustrada. A cobiça de desejar ter muito dinheiro foi o caminho que me levou pela mão e me extraviei, me soltei da mão do Senhor. Depois desse exame dos dez mandamentos, me mostram o Livro da Vida, lindo, eu queria ter palavras para descrever “O Livro da Vida”. Começou desde a concepção, assim que se uniram o par de células dos meus pais. De imediato houve um ‘zas’, uma faísca, uma linda explosão e se formou minha alma, colhida da mão de Deus Pai, encontrei um Deus Pai tão lindo, que me cuidava 24 horas por dia e o que eu via como um castigo, nada mais era que Amor, porque Ele consegue ver minha alma e percebia como eu ia me afastando da Salvação. Para terminar, vou lhes dar um exemplo de como é maravilhoso o “Livro da Vida”. Eu era muito hipócrita e eu dizia a alguém: “Nossa! Como você está linda, que vestido lindo!” Mas por dentro, em meus pensamentos eu dizia: “Que mulher mais asquerosa, e ainda se acha uma rainha!” Nesse livro se podia ver exatamente como eu pensava, se podia ver o interior de minha alma. Todas as minhas mentiras ficaram à vista, vivas, todo mundo se deu conta. Quantas vezes eu menti para minha mãe porque ela não me deixava sair a lugar nenhum, então dizia que tinha que fazer um trabalho em grupo na biblioteca, mas saía para ver algum filme pornográfico ou ia a algum bar tomar cerveja com minhas amigas. E lá estava minha mãe, vendo minha vida, nada escapou.
Meus pais me davam banana para levar de lanche na escola. Meus pais eram pobres e só podiam me dar banana, leite e algum petisco para colocar na lancheira. Eu comia a banana e jogava a casca pelo caminho. Nunca tive a consciência de que alguém poderia se ferir ou escorregar na casca de banana que eu costumava jogar no chão, e o Senhor me mostrou as pessoas que poderiam ter se matado por causa dessas quedas causadas por minha imprudência e falta de misericórdia. Também pude ver como só uma vez fiz uma boa confissão, bem feita. Foi quando uma senhora me deu 4.500 pesos a mais de troco num supermercado em Bogotá. E meu pai nos havia ensinado a sermos honestos e nunca tocar em nenhum centavo de ninguém. Então me dei conta quando já estava no carro. Estava a caminho do meu consultório e pensei... “Ai, essa velha distraída, essa tonta me deu 4.500 pesos a mais e agora tenho que voltar para devolver” e logo vi um engarrafamento gigante e disse: “Quer saber? Não vou devolver nada, quem mandou ela ser tão distraída?” Mas fiquei com a dor de ter feito isso, porque me pai me ensinou a ser honesta, então me confessei no domingo e disse: “Padre, eu roubei 4.500 pesos porque não os devolvi a uma senhora que se equivocou no troco.” Nem prestei atenção no que o padre me disse. O maligno não pode me acusar de ladra, mas sabem o que me disse o Senhor? Ele me disse: “Essa falta de caridade sua, quando não devolveu o dinheiro para aquela senhora não reparando o pecado cometido, 4.500 pesos para você não eram nada, mas para aquela mulher que ganhava um salário mínimo, significava a alimentação de três dias.” O mais triste foi quando me mostrou como sofreu, agüentando a fome um par de dias. Por minha culpa, passou fome com seus dois filhos pequenos, porque assim me mostra o Senhor, me mostra quando eu faço algo, quem sofreu, quem atua e como atua.
O Senhor me perguntou: “Que tesouros espirituais você me trouxe?” Minhas mãos iam vazias, não levava nada, minhas mãos iam absolutamente desocupadas. Foi então que me disse: “De que te servem os dois apartamentos que você tinha, as casas e consultórios? Você não se considerava uma profissional de muitíssimo êxito? Acaso pode trazer o pó de um tijolo até aqui? O que fez com os talentos que Eu te dei?” Talentos? Eu tinha uma missão. A missão de defender o reino de Amor. O reino de Deus. Eu me havia esquecido que tinha uma alma, e muito menos que tinha talentos, muito menos que o bem que deixei de fazer doeu muito ao Senhor. Sabem o que sempre me perguntava o Senhor? Sempre me perguntava sobre o Amor. Citava a falta de caridade pelo próximo. Ele me dizia que eu estava morta espiritualmente. Estava viva, porém morta. Se pudessem ver o que é a ‘morte espiritual’, como é uma alma que odeia...Como é uma alma espantosamente terrível de amargurada e fastidiosa, que faz mal a todo mundo... Quando uma pessoa está cheia de pecados, por fora tudo parece ser bonito e cheirar bem, com boas roupas, mas minha alma cheirava muito mal e vivia nos abismos. Isso justifica tanta depressão e amargura. Então o Senhor me disse: “É que sua morte espiritual começou quando você deixou de sentir dor pelos seus irmãos. Quando você via o sofrimento dos seus irmãos, era um alerta. Quando via nos meios de comunicação, dizendo que os mataram, que os seqüestraram, que os desalojaram, você dizia ‘da boca para fora’: ‘Coitadinhos! Que pecado!’ Mas isso não te doía por dentro. Você não sentia nada no coração, era uma pedra, o pecado te petrificou.
Quando se fecha o meu Livro, imaginem como era grande a minha tristeza. Quanta dor! Fora isso, por ter me comportado assim com Deus Pai, porque apesar de todos os meus pecados, apesar de toda a minha imundície e de toda a minha indiferença e de todos os sentimentos horríveis, o Senhor, sempre, até o último instante me buscou, sempre me enviava instrumentos, pessoas, me falava, me gritava, me tirava coisas para me buscar, ele me buscou até o último instante. Eu costumava dizer: “O Senhor me condenou”. Claro que não! No meu livre arbítrio eu escolhi quem seria o meu pai, e não foi Deus Pai. Escolhi Satanás, esse foi o meu pai, e quando esse Livro se fechou, vi em minha mente que estava de ponta-cabeça, porque começava a cair naquele buraco e depois deste oco ia se abrir uma porta. Então começo a ir, e começo a gritar a todos os santos, para que me salvassem. Vocês não têm idéia da quantidade de santos que eu vi, eu não tinha idéia de que havia tantos santos, eu era tão má católica. Pensava que dava na mesma que me salvasse São Isidro ou São Francisco de Assis, e quando acabaram todos os santos, veio o silêncio. Sentia um vazio, uma dor tão grande. E eu pensava: “Todos estão lá na terra dizendo: ‘como era santa!’”, esperando que eu morresse para me pedir um milagre. E olhem para onde vou! Levanto os olhos e vejo os olhos de minha mãe. Com muita dor eu lhe grito: “Mãezinha! Que vergonha! Me condenei, mãe, aonde vou? Nunca mais vou te ver...” E nesse momento lhe concederam a ela uma graça muito grande. Estava imóvel e lhe permitem mover seus dois dedos para cima e ela dá um sinal e saltam dos meus dois olhos duas crostas espantosamente dolorosas, era minha cegueira espiritual. Então, vejo um momento lindo, quando uma paciente me havia dito: “Olhe doutora, a senhora é muito materialista e um dia vai precisar Dele. Quando estiver em ambiente de perigo, qualquer que seja, peça a Jesus Cristo que a cubra com o Seu sangue, Ele nunca irá abandoná-la, porque Ele pagou um preço se sangue pela senhora.” E com essa vergonha tão grande e essa dor, comecei a gritar: “Jesus Cristo! Senhor, tenha compaixão de mim! Perdoe-me! Por favor, me dê uma segunda oportunidade!” E este foi o momento mais belo, não tenho palavras para descrever este momento. Ele baixa e me tira daquele oco. Quando Ele me recolhe, todas estas coisas caíram ao chão. Ele me levanta e me leva a uma parte plana, e me diz com todo esse Amor: “Vamos voltar, você vai ter uma segunda oportunidade” (...), e me diz que não é pela oração da minha família. Porque “é normal que eles orem e clamem por você, mas foi pela intercessão de todas as pessoas alheias ao seu sangue, que não te conhecem e choraram, oraram e elevaram seu coração com muitíssimo amor por você.” E começo a ver como se acendem uma porção de luzinhas que são como chaminhas brancas cheias de amor. Eu vejo as pessoas que estão rezando por mim! Mas havia uma chama grande, era a luz que mais brilhava. A que mais amor dava. Eu olhava quem era essa pessoa que me amava tanto. E o Senhor me diz: “Essa pessoa que você vê ali, é uma pessoa que te ama tanto, tanto, e nem sequer te conhece.” E me mostrava que essa pessoa havia visto a folha de jornal do dia anterior. Era um camponês de um povoado, bem pobre, que vivia ao pé da Serra Nevada de Santa Marta. O pobre homem comprou uma panela e a embrulharam numa folha do jornal “Espectador” do dia anterior. Minha fotografia onde eu aparecia toda queimada estava aí, ilustrando a matéria que falava sobre o acidente. Quando este homem viu a notícia, se pôs a chorar com um amor tão grande, e disse: “Pai, Senhor, tem compaixão desta minha irmãzinha. Senhor, salve-a! Se o Senhor salvá-la, prometo que irei ao ‘Santuário de Buga’ e cumpro a promessa, mas salve-a!” Imaginem um homem pobrezinho, não estava revoltado nem amaldiçoando porque passava fome, com essa capacidade de amor para se oferecer a atravessar todo o país por alguém que não conhecia. E o Senhor me disse: “Isso é Amor ao Próximo” (...) e logo me disse: “Você vai voltar, mas não vai contar o que viu 1000 vezes, mas sim 1000 vezes 1000. E ai daqueles que ouvindo, não decidam mudar de vida. Porque eles serão julgados com mais severidade. Assim como você será em seu segundo regresso. Que prestem atenção os ungidos, que são seus sacerdotes, ou qualquer um deles, porque não há pior surdo que aquele que não quer ouvir, nem pior cego que aquele que não quer ver.” E isto, meus queridos irmãos, não é uma ameaça, O Senhor não necessita nos ameaçar, esta é a segunda oportunidade que vocês têm, e graças a Deus que vivi o que vivi! Porque quando lhes abram o Livro da Vida a cada um de vocês, quando cada um de vocês morra, vamos ver este momento, de igual maneira, e vamos nos ver tal como estamos, vamos ver nossos pensamentos e nossos sentimentos na presença de Deus, e o mais bonito é que cada pessoa verá o Senhor em frente de cada um de nós, outra vez perguntando o que lhe temos a oferecer.
Que o Senhor abençoe a todos grandemente.
Glória a Deus! Glória a Nosso Senhor Jesus Cristo!
Fonte: gloriapolo.com
http://www.i-h-s.eu/www/gloria/htdocs/mensajepo.html
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Modéstia e beleza – a conexão perdida
Deixe um comentário Ir para os comentários
Por Regina Schmiedicke
Traduzido por Andrea Patrícia
Em seu livro “Man and Women”, Dietrich von Hildebrand aponta para uma particular “perfeição” da natureza feminina: “Nós encontramos nas mulheres uma unidade de personalidade pelo fato de que coração, intelecto e temperamento são muito mais interligados… Esta unidade do tipo feminino de pessoa humana, apresenta também em si mesma uma maior unidade da vida interior e exterior, em uma unidade de estilo abraçando a alma em si, bem como o comportamento exterior. “(1) Em outras palavras, as mulheres possuem um gênio especial para harmonizar a sua aparência externa com a sua vida interior, encarnando suas crenças e idéias em concretas, visíveis maneiras.
Infelizmente, como muitas mulheres tenham esquecido o que significa ser feminina, também nos esquecemos de como atingir a esta unidade. Em suma, enquanto muitas de nós mulheres católicas acreditam firmemente na castidade e pureza, a nossa roupa nem sempre reflete as nossas convicções. Para corrigir esta situação, precisamos recuperar o sentido da razão pela qual as mulheres no passado se vestiam modestamente, e como o modesto vestir “convém” à dignidade e a vocação da mulher. (grifos meus)
Na nossa sociedade fragmentada, vestuário diminuto tornou-se de alguma forma associado ao progresso social da mulher, como se o “direito” a usar menos indicasse que estamos subindo no mundo. Mas a minha casual visão geral da história me leva a quase o oposto desta conclusão. Parece-me que, na maioria das culturas, quanto mais roupa uma pessoa usa, mais importante esta pessoa tende a ser na sociedade.
Na história, os escravos eram muitas vezes forçados ficar nus; realeza e outros importantes personagens tinham vestes repletas de panos. Meninas camponesas, escravas e concubinas freqüentemente usavam vestidos curtos (mini-saias?), por vezes, para demonstrar que estavam sexualmente disponíveis. Mulheres de distinta posição social usavam vestes longas – rainhas do Egito antigo, França medieval, Inglaterra vitoriana – todas usavam vestidos que caiam aos seus pés.
Admito que meu conhecimento da antropologia é limitado, mas acredito que este foi o caso em quase todas as culturas até o advento do mais eficaz e disponível controle de natalidade, quando a situação mudou para aquilo que temos agora. Mesmo no desvalorizado o simbolismo da nossa cultura moderna, podemos encontrar restos da associação entre o vestuário e a dignidade humana. Juízes ainda usam togas, como o fazem os sacerdotes, bispos e papas. Em cerimônias, docentes e diplomados também usam. Na nossa sociedade, só as mulheres são culturalmente autorizadas a usar “vestes” a qualquer momento se assim o desejarem. Comecei a exercer a minha “prerrogativa cultural” para vestir togas (saias longas) com a maior freqüência possível, quando eu percebi como é crucial e valioso o papel da mulher na sociedade. Nós somos destinadas a ser muito mais do que objetos sexuais.
Vestir-se imodestamente é insensibilidade para com os homens. Na atual guerra dos sexos, os católicos podem trabalhar para a mudança, cultivando boas relações entre homens e mulheres, de amizades construídas na confiança e respeito mútuo. Tive o prazer de encontrar muitos jovens e finos homens católicos que se voltam para trás para compreender e acomodar a sensibilidade e o gênio especial de uma mulher. No entanto, na área de modéstia, a maioria das jovens mulheres católicas não correspondem ao tipo. Eu mesma estou confusa sem saber se isso é pura ignorância ou simplesmente uma atitude desleixada.
Uma vez uma educadora de castidade que conheço, que usava saias muito curtas, disse-me: “Se os homens têm um problema com as minhas roupas, bem, eles apenas têm que lidar com isso.” Esta atitude desrespeita a sensibilidade visual dos homens. O que os homens vêem afeta o modo como se sentem em uma maneira muito mais direta do que com as mulheres.
Um paralelo é uma mulher de vulnerabilidade emocional. Mulheres da FUS* estão familiarizadas com o “doce rapaz”, que está perpetuamente a discernir o sacerdócio ou evitar todos os compromissos. Este tipo de homem torna-se atraente para as jovens pela atenção que eles dão a elas. Ele flerta e gasta muito tempo com elas, tantalizando** com a idéia de que ele é romanticamente interessado. Um dos maiores problemas com o “Sr. discernindo o Sacerdócio” é que a sua ofensa é tão inocente e tão sutil que a maioria das meninas nem mesmo tenta endireitá-lo. Isto é muito semelhante à dificuldade que os homens têm quando as mulheres vestem-se imodestamente. Pode incomodá-los, mas eles realmente preferem não dizer isso para a garota em questão.
Após ter conversado com uma boa quantidade de homens católicos sobre o assunto, o meu palpite é que a maioria dos homens puros que vivem nesta cultura tem visualmente entorpecido a si próprios para o imodesto modo de vestir da maioria das mulheres, incluindo as mulheres cristãs que conhecem. Se a mulher está vestida com uma saia curta ou uma blusinha apertada, eles “ajustam-na” visualmente – eles não olham para ela a não ser que precisem, e evitam ficar perto dela.
Este “ajuste”*** permite que os homens castos evitem o pecado da luxúria, apesar da abundância de oportunidades à sua volta. Mas, da mesma forma que as mágoas tem feito muitas mulheres menos vulneráveis emocionalmente, eu acho que este visual entorpecimento da sensibilidade masculina não vai ajudar o crescimento na caridade entre os homens e mulheres na Igreja.
Numa altura em que alguns homens estão aprendendo a respeitar as suas mulheres como iguais, muitas mulheres estão se rebaixando aos olhos dos homens devido ao modo como se vestem. As mulheres se queixam da falta de cavaleiros de armadura brilhante, embora não tenha ocorrido a muitas delas que elas estão bem distantes de se vestir como as castas Ladies dos tempos do cavalheirismo.
Em conversações sobre modéstia, tenho freqüentemente ouvido o comentário de que uma mulher católica não deve usar qualquer coisa que a Virgem Maria não usasse. Embora eu concorde com isso, vou observar que eu nunca vi uma memorável imagem da Virgem Maria vestindo um vestido deselegante, feio. Pelo contrário, suas vestes são geralmente drapejadas suavemente, lisonjeiras para sua figura feminina. Ela raramente é retratada em cores muito fortes, cores claras abundam nas suas vestes, por vezes elaboradamente. Em uma palavra, a Santíssima Mãe é retratada vestida belamente. Aqui eu sinto que está a chave para o problema da modéstia.
Alguns infelizes impulsos Jansenistas ou Puritanos na imaginação Católica moderna têm equiparado modéstia a esconder a figura feminina. Aparentemente, muitas mulheres católicas pensam estar sendo modestas vestindo roupas não atraentes. Poderia ser por isso que mesmo as mulheres em profunda conversão espiritual evitam discretamente a idéia de adotar vestimentas modestas? Eu tenho visto muitas de minhas amigas católicas aproximando-se de seu amado Salvador na Eucaristia, ou, infelizmente, a entrar para o Sacramento do Matrimônio, praticamente sem qualquer noção de como a sua aparência exterior está em contradição com as suas convicções interiores. Eu tenho detectado nelas um medo de serem vistas como uma puritana ou de não estar com um “visual agradável”- como se modéstia e graciosidade fossem intrinsecamente! Claramente, a nossa imaginação cultural precisa de uma revisão geral.
Penso que estamos ignorantes, de maneira profunda e trágica, do grande fascínio e esplendor da modéstia. Homens me disseram que uma garota vestindo-se modestamente foi “uma lufada de ar fresco”, “delicioso de estar junto”. Com sua sensibilidade visual, os homens são livres para olhar para uma garota vestida castamente e apenas desfrutar de olhar para ela, sem um traço da tentação sexual. Modéstia ligada à beleza traz consigo uma libertação entre homens e mulheres que mal podemos imaginar.
A nossa sociedade precisa desesperadamente de mulheres que recuperem o senso de saber vestir modestamente roupas adequadas à nossa dignidade e vocação. Fico deprimida ao ver quantas jovens mulheres católicas fortes, amáveis e devotas, incluindo algumas que estão na linha de frente da defesa da fé, parecem não ter noção da nobreza dos seus próprios corpos, e são conteúdos de possíveis tentações, em vez de serem “lufadas de ar fresco” na sociedade.
Pelo o que tenho visto, a cultura do vestir-se mesmo entre a ortodoxa elite católica foi mais afetada pela Vogue do que pelo Vaticano. Em muitos encontros sociais católicos e casamentos de Steubenville, mini-vestidos pretos e ombros nus abundam como se usar vestimentas modestas fosse apenas para as ortodoxas ordens de freiras. O carisma dos leigos para a mudança de cultura não está em evidência.
Após ter mencionado o Vaticano, vou deitar fora uma solução concreta como ponto de partida. As mulheres que querem ver o interior de muitas igrejas na Itália, devem cobrir os seus ombros e as pernas até abaixo do joelho. Alguns podem estar familiarizados com as “Regras do Papa”. Em 1940, pediram a opinião de Pio XII sobre o que as mulheres que ensinam nas escolas italianas devem usar para preservar a sua modéstia. Com a delicada reserva de qualquer homem comum indagado sobre o vestuário feminino, ele simplesmente indicou “abaixo do joelho, a meio caminho para baixo do braço e dois dedos de largura abaixo da clavícula.” Considero estas orientações bastante razoáveis.
E longe de serem restritivas, tais regras efetivamente libertam as mulheres. Tal como Coco Chanel, a estilista francesa disse uma vez, a liberdade de uma mulher envolve a liberdade de movimento. Em um traje que incorpora as regras do Papa, uma mulher pode cruzar as pernas, esticar, dobrar para baixo para pegar um lápis, ou espiralar com suas pernas por baixo dela, sem se preocupar com a barra da saia. Ela pode agachar-se para conversar com uma criança pequena, sentar-se em estilo indiano, ou deitar no chão para assistir um filme sem se preocupar com exposição indevida. Em uma saia que é longa e cheia o suficiente, uma mulher pode escalar árvores, montar cavalo, e até mesmo ser jogada às costas de um homem enquanto dança – sem ser imodesta. Seria de pensar se mais meninas optariam por vestidos mais modestos por mera questão de conforto, mas outra heresia em nossa cultura decaída tem sido o equívoco de que uma mulher tenha que usar um vestido formal com altíssimos e desconfortáveis saltos.
Creio que as mulheres são poderosas. Creio que o modo como se vestem e procedem como a coroa da criação tem grande potencial para proclamar a verdade. Sem qualquer ativismo, pelo gênio da mulher em apenas “ser”, uma mulher católica pode ser uma poderosa evangelista do Evangelho da Vida, sem falar uma palavra, pelo modo como ela veste-se, move-se e desenvolve-se. É tempo de estabelecer as mulheres católicas para exercer sua criatividade e inventividade para criar um padrão de vestuário que reforce a sua vocação, em vez de se diminuir a partir dele. Rezo para que a expressão “um templo do Espírito Santo” não lembre uma vaga resposta do catecismo dissociada da realidade concreta. Meu sonho é que algum dia, sempre que alguém veja uma mulher católica, veja um impressionante lembrete, uma encarnação moderna, e um ícone vivo de uma donzela judia do primeiro século a quem um anjo disse um dia que ela seria a esposa do Espírito Santo.
Regina Doman Schmiedicke, que graduou-se na FUS* em 1992, escreve de Front Royal, Virginia. Ela é a autora de vários romances conto de fadas para adolescentes, e um livro infantil.
Notas da tradutora:
*FUS: Franciscan University of Steubenville
** no original “tantalizing”, do latim Tantalus: significa possuir a qualidade de estimular desejo ou interesse na outra pessoa mantendo-se fora de seu alcance. Tântalo
*** no original “tuning out”.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Mulher cristã: construtora do novo feminismo
Mulher cristã: construtora do novo feminismo
I Conferência Internacional
“Vida, família, desenvolvimento: o papel das mulheres na promoção dos direitos humanos”
Roma, 20-21 março 2009
C O N C L U S Õ E S
de Sua Eminência o Cardeal Renato Raffaele Martino
Presidente da Comissão Pontifícia “Justiça e Paz”
1. Ficou para eu dizer uma palavra conclusiva no final desta I Conferência Internacional “Vida, família, desenvolvimento: o papel das mulheres na promoção dos diretos humanos”, que contemplou uma ampla e apaixonada intervenção no debate sobre os diversos temas propostos no programa. Por tudo isso queremos agradecer ao Senhor que nos tem ajudado e guiado, iluminando com Seu Espírito o quanto de bom e significativo se levou a cabo em nosso encontro. Desejo expressar minha profunda gratidão à professora Olimpia Tarzia, presidente da World Women’s Alliance for Life and Family, e à senhora Karen M. Hurley, presidente da World Union of Catholic Women’s Organizations, por terem associado suas organizações a esta Conferência Internacional promovida pela Comissão Pontifícia “Justiça e Paz”. Trabalhar juntos, dentro do respeito das respectivas competências e funções, tem sido uma forma muito eficaz e ampla na direção de afrontar os problemas do nosso tempo. Minha gratidão e a vossa se dirigem também às palestrantes que introduziram magistralmente as diversas sessões de trabalho. Permiti-me que agradeça ao monsenhor Crepaldi, que faz um trabalho precioso nos bastidores, aos membros do Conselho Pontifício e sobretudo à doutora Flaminia Giovanelli, que gastou tempo e energias, com muito amor e incansável generosidade, para o êxito da Conferência. Obrigado de coração aos intérpretes que, com seu costumeiro profissionalismo, nos permitiram entender, dialogar e escutar uns aos outros.
2. Dirigimos um particular agradecimento ao Santo Padre Bento XVI, que nos tem feito sentir sua paternidade e proximidade enviando-nos uma mensagem de confiança e esperança, rica da sugestiva proposta de um cristianismo do SIM: do SIM a Deus, Pai de toda a humanidade e Criador do homem e da mulher à Sua imagem e semelhança; de um cristianismo do SIM à vida, à toda vida e à vida de todos, sempre, sobretudo ante àquela ameaçada pela pobreza extrema, àquela negada e desfigurada pela violência e pela guerra, àquela rechaçada com o aborto e a eutanásia, àquela manipulada arbitrariamente pelas novas tecnologias, àquela mal compreendida pelas velhas e novas escravidões; de um cristianismo do SIM à família fundada sobre o matrimônio por amor, unitivo e fecundo, entre o homem e a mulher, cuja diferencia sexual é o reflexo de um Deus que é caridade criadora na perfeita relação de amor entre o Pai e o Filho no Espírito Santo; um cristianismo do SIM às mulheres e ao seu gênio capaz de embelezar o difícil caminho da humanidade na perspectiva, histórica e cultural, desse humanismo que Paulo VI descreveu profeticamente quando, na Populorum progressio, afirmou que devia ser íntegro, solidário e aberto a Deus; de um cristianismo do SIM à confiança porque, com realismo e sabedoria, sabe evangelizar a esperança da qual os homens e as mulheres do nosso tempo tem uma necessidade extrema, sem deter-se em posturas desesperadas e paralisantes que, afinal de contas, supõem una pecaminosa falta de fé em Deus, que é sempre e por sempre Aquele que com amor providente rege os destinos da historia; um cristianismo do SIM à vida, à pessoa humana, à solidariedade e ao futuro. Nossa Conferência termina com este gozoso e comprometedor desejo: que as mulheres cristãs escolham ser, integralmente, as intérpretes e protagonistas deste cristianismo do SIM. Parece-me que este é o caminho que se deve empreender para dar consistência e forma a este novo feminismo que nos foi solicitado também na Mensagem do Santo Padre Bento XVI.
3. Os desafios que temos adiante para levar a cabo este novo feminismo foram colocados manifestamente nos trabalhos de nossa Conferência. São desafios nascidos e desenvolvidos dentro do clima da modernidade e da pós modernidade, caracterizados em sua essência pelos projetos e pelas experiências, coletivas e generalizadas, comuns à chamada emancipação feminina, hoje signo global e marca inapagável do nosso tempo, apesar das manifestações muito diversas nas distintas realidades continentais. A emancipação feminina tem sido e é um evento histórico, marcado pelos significados ambivalentes e contrastados, sobre os quais se devem exercer um discernimento cristão constante, paciente, inteligente e sábio, para extrair o bem, para combater o mal, para orientar o incerto: um discernimento cristão inspirado e guiado por um humanismo íntegro e solidário, firmemente dirigido para fazer avançar a civilização do amor. Não faz parte do gênero literário das conclusões repetir tudo o que foi dito e debatido nestes dias. Não posso, contudo, me eximir de lembrar rapidamente alguns âmbitos nos quais este discernimento está sendo requerido, no dia de hoje de forma particular, pelo caráter de urgência que apresentam alguns desafios.
a) O primeiro âmbito se refere à relação entre natureza e cultura, porque sobre esta relação está em jogo de fato a questão fundamental: o que é a pessoa humana, a diferença sexual, a identidade do matrimônio e da família, etc. Negar a natureza, isto é, negar que a pessoa humana é antes de tudo um projeto querido e realizado pelo Deus Criador, que não é bom subverter arbitrariamente, é o ponto central que se deve ter bem claro. Quando se nega a natureza, a pessoa humana já não é um projeto, senão que se converte inexoravelmente em um produto ou da cultura ou da técnica. Nesta perspectiva, não haverá nenhuma emancipação autêntica, e sim uma desumanização inexorável. O novo feminismo não pode ignorar este desafio. Deve-se promover um feminismo inspirado por uma concepção da pessoa, entendida como projeto de Deus – projeto que se deve acolher, respeitar e realizar com liberdade responsável – e rechaçar o feminismo inspirado em uma concepção da pessoa entendida como produto do heterogêneo e mutável panorama cultural atual, geralmente expressão de maiorias mutáveis habilmente manipuladas. A fé cristã tem o poder de inspirar uma visão coerente do mundo e as mulheres cristãs devem se abrir ao diálogo com as outras muitas visões que competem por conquistar as mentes e os corações de nossos contemporâneos. O pluralismo é plenamente admissível e também obrigatório, quando é expressão do bem e da multiplicidade dos caminhos que podem se tomar para levá-lo a cabo, ou também quando expressa a complexidade das questões sobre as quais não se pode dar uma visão definitiva. Mas quando estão em jogo os princípios da lei moral natural ou a própria dignidade de toda criatura humana, não pode haver compromisso (ambivalência). Existem questões não negociáveis que não admitem derrogações e a democracia não pode ser um compromisso degradante, porque neste caso o bem comum se transformaria no mal menor comum.
b) O segundo âmbito que necessita nosso atento discernimento tem a ver com as diferenças de contexto, sobretudo de caráter cultural, que incidem nos projetos de promoção da mulher. Os problemas, mesmo em um mundo global, são e seguem sendo locais, e requerem portanto aproximações diferenciadas e realistas. No entanto, se deve-se propor uma linha estratégica para um novo feminismo, alimentado pela força libertadora do Evangelho, diria que é necessário livrar-se valentemente de todos os lastres culturais – estes, típicos do subdesenvolvimento e do superdesenvolvimento – que mortificam a dignidade integral da mulher e de seus diretos fundamentais como pessoa, impedindo seu autêntico desenvolvimento e sua colaboração ao desenvolvimento. Os lastres – que se deve denunciar como estruturas de pecado – ainda são muitos, e todos negam o projeto de Deus. O caminho chave para nos libertar deles é o de investir de forma abundante nas mulheres, através da educação e a formação. Muitos obstáculos culturais e socioeconômicos podem ser superados com a formação. Se não se cultiva o capital humano, diminui também o capital social e não funciona o capital econômico. Quando a pessoa é pobre em formação, também a sociedade se empobrece e tampouco funcionam os mecanismos econômicos. Evidentemente, este discurso vale para todos os continentes, desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, porque quando se fala de formação se deve considerar que, para ser autêntica, deve estar integrada em um humanismo integral e solidário. Como demonstra a atual crise econômica/financeira, no centro da mesma se apresenta um perigoso déficit de valores morais e religiosos e portanto de uma formação integral. A resposta não pode ser somente técnico-financeira, mas sim em primeiro lugar ética, cultural e religiosa. Ser rico não significa estar desenvolvido integralmente. Não existe pensar a economia por um lado e por outro a ética e a religião. Não existe pensar a justiça por um lado e por outro o amor e a caridade. Não existe pensar a produção por um lado e a distribuição por outro. Não existe pensar a eficiência por um lado e por outro a solidariedade. Não existe por um lado a lei natural e por outro lado a lei nova. Pensar desta forma significa aceitar que o mundo pode funcionar sem Deus. Se a salvação de Deus não afeta a todos os planos, no final é expulsa de todos eles. Isto não significa que esta os deva invadir, mas sim que sua luz garanta sua própria autonomia e liberdade, colocando-a na verdade.
c) O terceiro âmbito que desejo tocar, e sobre o qual é necessário um profundo discernimento, é o das desigualdades econômicas que, de forma escandalosa, caracterizam o nosso mundo, ainda marcado por fenômenos dramáticos como a fome, as enfermidades pandêmicas, a estendida miséria. É verdade, nestes anos se fez muito caminho… mas também é verdade que resta muito por fazer. Sem dúvida, a pobreza extrema hoje se apresenta com o rosto sofredor das mulheres e das crianças. Um escândalo inaceitável. Se deve-se propor um novo feminismo, este não pode não ter como objetivo um mundo mais justo e solidário. Por desgraça neste campo, em todos os níveis, nacionais e internacionais, uma infinidade de palavras cheias de bons propósitos são desperdiçadas, sem nunca ir além disso, como o demonstram as incertas políticas de Ajuda Pública ao Desenvolvimento, reconfirmadas também recentemente na Conferência Internacional de Doha sobre o financiamento ao desenvolvimento. O Santo Padre Bento XVI, que em breve nos dará sua primeira encíclica social, recordou com vigor, na Mensagem para a Jornada Mundial da Paz deste ano, a irrevogável necessidade de “combater a pobreza para construir a paz”. Cada dia mais, me convenço de que a batalha contra muitas pobrezas do mundo será vencida se começar por baixo, com iniciativas exemplares, como o microfinanciamento e o microcrédito, que têm como protagonistas as muitas mulheres do mundo.
4. Não haverá nenhum novo feminismo sem Deus, sobretudo se não se descobre a Deus como Amor. Os monges – disse o Papa em Paris – buscando a Deus encontraram também a chave das relações humanas pois, “nenhuma estruturação positiva do mundo pode prevalecer ali onde as almas se tornam selvagens”. Sobre isto se funda o “direito de cidadania” – para retomar as palavras da Centesimus annus (n. 5) de João Paulo II – da fé cristã na sociedade, o direito de Deus de não ser “deixado no banquinho” nem “posto de lado”. A criação de Deus é segundo a verdade, porque Deus é Logos, mas é também segundo a caridade, porque Deus é amor. Na própria “natureza” o homem lê, por tanto, a luz de um projeto de autenticidade sobre ele e também um projeto de amor. Nossa natureza, de fato, é feita ao mesmo tempo de inteligência e de coração; as relações com os demais não se fundam somente em conceitos, mas sim também e sobretudo, em atos de amor mútuo. A sociedade necessita regras conformes à natureza humana, mas também necessita relações fraternas, de autêntico amor fraterno. O velho feminismo se fundava no individualismo egocêntrico e, na maioria das vezes, egoísta; o novo feminismo deve estar entretecido de amor pela vida, pela família, pelos outros; um feminismo regulado pela rainha das virtudes, a Caridade. Obrigado.
[Tradução do original italiano por Inma Álvarez- ZENIT]
Tradução ao português Julie Maria – Revisão Igor Barbosa
I Conferência Internacional
“Vida, família, desenvolvimento: o papel das mulheres na promoção dos direitos humanos”
Roma, 20-21 março 2009
C O N C L U S Õ E S
de Sua Eminência o Cardeal Renato Raffaele Martino
Presidente da Comissão Pontifícia “Justiça e Paz”
1. Ficou para eu dizer uma palavra conclusiva no final desta I Conferência Internacional “Vida, família, desenvolvimento: o papel das mulheres na promoção dos diretos humanos”, que contemplou uma ampla e apaixonada intervenção no debate sobre os diversos temas propostos no programa. Por tudo isso queremos agradecer ao Senhor que nos tem ajudado e guiado, iluminando com Seu Espírito o quanto de bom e significativo se levou a cabo em nosso encontro. Desejo expressar minha profunda gratidão à professora Olimpia Tarzia, presidente da World Women’s Alliance for Life and Family, e à senhora Karen M. Hurley, presidente da World Union of Catholic Women’s Organizations, por terem associado suas organizações a esta Conferência Internacional promovida pela Comissão Pontifícia “Justiça e Paz”. Trabalhar juntos, dentro do respeito das respectivas competências e funções, tem sido uma forma muito eficaz e ampla na direção de afrontar os problemas do nosso tempo. Minha gratidão e a vossa se dirigem também às palestrantes que introduziram magistralmente as diversas sessões de trabalho. Permiti-me que agradeça ao monsenhor Crepaldi, que faz um trabalho precioso nos bastidores, aos membros do Conselho Pontifício e sobretudo à doutora Flaminia Giovanelli, que gastou tempo e energias, com muito amor e incansável generosidade, para o êxito da Conferência. Obrigado de coração aos intérpretes que, com seu costumeiro profissionalismo, nos permitiram entender, dialogar e escutar uns aos outros.
2. Dirigimos um particular agradecimento ao Santo Padre Bento XVI, que nos tem feito sentir sua paternidade e proximidade enviando-nos uma mensagem de confiança e esperança, rica da sugestiva proposta de um cristianismo do SIM: do SIM a Deus, Pai de toda a humanidade e Criador do homem e da mulher à Sua imagem e semelhança; de um cristianismo do SIM à vida, à toda vida e à vida de todos, sempre, sobretudo ante àquela ameaçada pela pobreza extrema, àquela negada e desfigurada pela violência e pela guerra, àquela rechaçada com o aborto e a eutanásia, àquela manipulada arbitrariamente pelas novas tecnologias, àquela mal compreendida pelas velhas e novas escravidões; de um cristianismo do SIM à família fundada sobre o matrimônio por amor, unitivo e fecundo, entre o homem e a mulher, cuja diferencia sexual é o reflexo de um Deus que é caridade criadora na perfeita relação de amor entre o Pai e o Filho no Espírito Santo; um cristianismo do SIM às mulheres e ao seu gênio capaz de embelezar o difícil caminho da humanidade na perspectiva, histórica e cultural, desse humanismo que Paulo VI descreveu profeticamente quando, na Populorum progressio, afirmou que devia ser íntegro, solidário e aberto a Deus; de um cristianismo do SIM à confiança porque, com realismo e sabedoria, sabe evangelizar a esperança da qual os homens e as mulheres do nosso tempo tem uma necessidade extrema, sem deter-se em posturas desesperadas e paralisantes que, afinal de contas, supõem una pecaminosa falta de fé em Deus, que é sempre e por sempre Aquele que com amor providente rege os destinos da historia; um cristianismo do SIM à vida, à pessoa humana, à solidariedade e ao futuro. Nossa Conferência termina com este gozoso e comprometedor desejo: que as mulheres cristãs escolham ser, integralmente, as intérpretes e protagonistas deste cristianismo do SIM. Parece-me que este é o caminho que se deve empreender para dar consistência e forma a este novo feminismo que nos foi solicitado também na Mensagem do Santo Padre Bento XVI.
3. Os desafios que temos adiante para levar a cabo este novo feminismo foram colocados manifestamente nos trabalhos de nossa Conferência. São desafios nascidos e desenvolvidos dentro do clima da modernidade e da pós modernidade, caracterizados em sua essência pelos projetos e pelas experiências, coletivas e generalizadas, comuns à chamada emancipação feminina, hoje signo global e marca inapagável do nosso tempo, apesar das manifestações muito diversas nas distintas realidades continentais. A emancipação feminina tem sido e é um evento histórico, marcado pelos significados ambivalentes e contrastados, sobre os quais se devem exercer um discernimento cristão constante, paciente, inteligente e sábio, para extrair o bem, para combater o mal, para orientar o incerto: um discernimento cristão inspirado e guiado por um humanismo íntegro e solidário, firmemente dirigido para fazer avançar a civilização do amor. Não faz parte do gênero literário das conclusões repetir tudo o que foi dito e debatido nestes dias. Não posso, contudo, me eximir de lembrar rapidamente alguns âmbitos nos quais este discernimento está sendo requerido, no dia de hoje de forma particular, pelo caráter de urgência que apresentam alguns desafios.
a) O primeiro âmbito se refere à relação entre natureza e cultura, porque sobre esta relação está em jogo de fato a questão fundamental: o que é a pessoa humana, a diferença sexual, a identidade do matrimônio e da família, etc. Negar a natureza, isto é, negar que a pessoa humana é antes de tudo um projeto querido e realizado pelo Deus Criador, que não é bom subverter arbitrariamente, é o ponto central que se deve ter bem claro. Quando se nega a natureza, a pessoa humana já não é um projeto, senão que se converte inexoravelmente em um produto ou da cultura ou da técnica. Nesta perspectiva, não haverá nenhuma emancipação autêntica, e sim uma desumanização inexorável. O novo feminismo não pode ignorar este desafio. Deve-se promover um feminismo inspirado por uma concepção da pessoa, entendida como projeto de Deus – projeto que se deve acolher, respeitar e realizar com liberdade responsável – e rechaçar o feminismo inspirado em uma concepção da pessoa entendida como produto do heterogêneo e mutável panorama cultural atual, geralmente expressão de maiorias mutáveis habilmente manipuladas. A fé cristã tem o poder de inspirar uma visão coerente do mundo e as mulheres cristãs devem se abrir ao diálogo com as outras muitas visões que competem por conquistar as mentes e os corações de nossos contemporâneos. O pluralismo é plenamente admissível e também obrigatório, quando é expressão do bem e da multiplicidade dos caminhos que podem se tomar para levá-lo a cabo, ou também quando expressa a complexidade das questões sobre as quais não se pode dar uma visão definitiva. Mas quando estão em jogo os princípios da lei moral natural ou a própria dignidade de toda criatura humana, não pode haver compromisso (ambivalência). Existem questões não negociáveis que não admitem derrogações e a democracia não pode ser um compromisso degradante, porque neste caso o bem comum se transformaria no mal menor comum.
b) O segundo âmbito que necessita nosso atento discernimento tem a ver com as diferenças de contexto, sobretudo de caráter cultural, que incidem nos projetos de promoção da mulher. Os problemas, mesmo em um mundo global, são e seguem sendo locais, e requerem portanto aproximações diferenciadas e realistas. No entanto, se deve-se propor uma linha estratégica para um novo feminismo, alimentado pela força libertadora do Evangelho, diria que é necessário livrar-se valentemente de todos os lastres culturais – estes, típicos do subdesenvolvimento e do superdesenvolvimento – que mortificam a dignidade integral da mulher e de seus diretos fundamentais como pessoa, impedindo seu autêntico desenvolvimento e sua colaboração ao desenvolvimento. Os lastres – que se deve denunciar como estruturas de pecado – ainda são muitos, e todos negam o projeto de Deus. O caminho chave para nos libertar deles é o de investir de forma abundante nas mulheres, através da educação e a formação. Muitos obstáculos culturais e socioeconômicos podem ser superados com a formação. Se não se cultiva o capital humano, diminui também o capital social e não funciona o capital econômico. Quando a pessoa é pobre em formação, também a sociedade se empobrece e tampouco funcionam os mecanismos econômicos. Evidentemente, este discurso vale para todos os continentes, desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, porque quando se fala de formação se deve considerar que, para ser autêntica, deve estar integrada em um humanismo integral e solidário. Como demonstra a atual crise econômica/financeira, no centro da mesma se apresenta um perigoso déficit de valores morais e religiosos e portanto de uma formação integral. A resposta não pode ser somente técnico-financeira, mas sim em primeiro lugar ética, cultural e religiosa. Ser rico não significa estar desenvolvido integralmente. Não existe pensar a economia por um lado e por outro a ética e a religião. Não existe pensar a justiça por um lado e por outro o amor e a caridade. Não existe pensar a produção por um lado e a distribuição por outro. Não existe pensar a eficiência por um lado e por outro a solidariedade. Não existe por um lado a lei natural e por outro lado a lei nova. Pensar desta forma significa aceitar que o mundo pode funcionar sem Deus. Se a salvação de Deus não afeta a todos os planos, no final é expulsa de todos eles. Isto não significa que esta os deva invadir, mas sim que sua luz garanta sua própria autonomia e liberdade, colocando-a na verdade.
c) O terceiro âmbito que desejo tocar, e sobre o qual é necessário um profundo discernimento, é o das desigualdades econômicas que, de forma escandalosa, caracterizam o nosso mundo, ainda marcado por fenômenos dramáticos como a fome, as enfermidades pandêmicas, a estendida miséria. É verdade, nestes anos se fez muito caminho… mas também é verdade que resta muito por fazer. Sem dúvida, a pobreza extrema hoje se apresenta com o rosto sofredor das mulheres e das crianças. Um escândalo inaceitável. Se deve-se propor um novo feminismo, este não pode não ter como objetivo um mundo mais justo e solidário. Por desgraça neste campo, em todos os níveis, nacionais e internacionais, uma infinidade de palavras cheias de bons propósitos são desperdiçadas, sem nunca ir além disso, como o demonstram as incertas políticas de Ajuda Pública ao Desenvolvimento, reconfirmadas também recentemente na Conferência Internacional de Doha sobre o financiamento ao desenvolvimento. O Santo Padre Bento XVI, que em breve nos dará sua primeira encíclica social, recordou com vigor, na Mensagem para a Jornada Mundial da Paz deste ano, a irrevogável necessidade de “combater a pobreza para construir a paz”. Cada dia mais, me convenço de que a batalha contra muitas pobrezas do mundo será vencida se começar por baixo, com iniciativas exemplares, como o microfinanciamento e o microcrédito, que têm como protagonistas as muitas mulheres do mundo.
4. Não haverá nenhum novo feminismo sem Deus, sobretudo se não se descobre a Deus como Amor. Os monges – disse o Papa em Paris – buscando a Deus encontraram também a chave das relações humanas pois, “nenhuma estruturação positiva do mundo pode prevalecer ali onde as almas se tornam selvagens”. Sobre isto se funda o “direito de cidadania” – para retomar as palavras da Centesimus annus (n. 5) de João Paulo II – da fé cristã na sociedade, o direito de Deus de não ser “deixado no banquinho” nem “posto de lado”. A criação de Deus é segundo a verdade, porque Deus é Logos, mas é também segundo a caridade, porque Deus é amor. Na própria “natureza” o homem lê, por tanto, a luz de um projeto de autenticidade sobre ele e também um projeto de amor. Nossa natureza, de fato, é feita ao mesmo tempo de inteligência e de coração; as relações com os demais não se fundam somente em conceitos, mas sim também e sobretudo, em atos de amor mútuo. A sociedade necessita regras conformes à natureza humana, mas também necessita relações fraternas, de autêntico amor fraterno. O velho feminismo se fundava no individualismo egocêntrico e, na maioria das vezes, egoísta; o novo feminismo deve estar entretecido de amor pela vida, pela família, pelos outros; um feminismo regulado pela rainha das virtudes, a Caridade. Obrigado.
[Tradução do original italiano por Inma Álvarez- ZENIT]
Tradução ao português Julie Maria – Revisão Igor Barbosa